sábado, 26 de dezembro de 2009

Dinastia Júlio-Claudiana

História da Roma Antiga
Dinastia Júlio-Claudiana



Todos os que fazem parte desta dinastia faziam parte da família de Augusto de forma directa ou indirecta. O regime que Augusto inicia é uma espécie de monarquia camuflada daí a designação de "dinastia" Augusto acumulou nas suas mãos todo o poder imperial:

  • "Imperium"

  • Poder Tribunício

  • Pontificado Máximo


Estes poderes vao conferir-lhe o poder de controlar a religião, a vida civil e o exército. Por detrás do título de "princeps" esconde-se um poder absloluto. Vai isntitucionalizar a sucessão por hereditariedade. Não vai ter filhos e resolve essa questão da sucessão recorrendo á adopção de Tibério. Tibério torna-se o co-regente do império, o principal acessor directo do imperador.


Roma aceita que Augusto designasse o seu herdeiro em troca de paz e segurança.


Augusto cria um novo sistema político que durará 300/400 anos. Este regime político vai ser herdado pela dinastia Júlio-Claudiana:

  • Tibério

  • Calígula
  • Cláudio

  • Nero


Todos estes imperadores pertencem a familia de Augusto e cada um vai contribuir para consolidar o regime imperial. O poder que vao exercer depende muito da personalidade de cada um.




TIBÉRIO



Foi imperador entre 14-37 d.C.. Era enteado de Augusto, fruto do primeiro casamento de Lívia. Era um chefe nilitar vigoroso, vai assumir alguns poderes, assume a co-regência do império a partir de 5 d.C.. Sempre foi fiel a Augusto mesmo após a sua morte. Tibério manda construir vários templos em honra de Augusto, é oficialmente divinizado. O culto imperial torna-se oficial. Era importante que o imperador e a sua familia fossem exaltados religiosamente para consolidar o regime. Herda um vasto e prospero império e preocupa-se em ocultar a base militarista do regime, tal como Augusto, tenta fazer passar a mensagem de serem imperadores porque são merecedores e não porque têm o exército a seu lado. Chega a recusar a introdução do pronome "imperator" porque este termo tinha uma componente militar.



CALÍGULA





Foi imperador entre 37-41 d.C.. Era sobrinho-neto de Tibério.
Ficou célebre pela sua excentricidade (muito provavelemente derivada da doença), o seu regime caracteriza-se por se preocupar com tudo menos com o necessário. Perseguiu senadores e o senado. A guarda pretoriana vai assassinar Calígula uma vez que este também não agradava a classe sequestre. Sofreu a "danatum memoria" (a sua memória foi apagada).





CLÁUDIO & NERO




















Cláudio, tio de Calígula governou entre 41-54 d.C.. Sofria de gaguez. Primeiro casou-se com Salina e depois com Agripina, que se pensa responsável pelo seu envenenamento . A guarda pretoriana designou-o imperador perante a necessidade que esta teve de se antecipar á acção senatorial. Foi respeitado e respeitou formalmente o Senado e foi um bom senador, tendo sido divinizado após a sua morte. Morre envenenado por Agripina uma vez que ele tinha um filho chamado Britanico e Agripina tinha também um filho (Nero) e, segundo os autores clássicos, envenenou Cláudio de forma a que o seu filho o sucedesse.


Nero, é disignado imperador pela guarda pretoriana, o senado limita-se a rectificar esta nomeação feita pela guarda. Foi imperador entre 54-68 d.C.. Vai atribuir uma especial atenção á promoção de espectáculos públicos em Roma, agrandando, inicialmente, ao povo em geral.
Nero mostrou um desinteresse político mas um grande interesse pelas artes, tendo um papel participante. A sua maior ambição era ser o maior artista de Roma e interessava-se cada vez menos pelos assuntos do império, da governação. Nero, mandou assassinar a sua mãe acusando-a de cosnpirar contra si e foi também ele quem mandou assassinar as suas esposas e Britânico. Mandou também assassinar mais de cinquenta senadores (o que mais se destaca é Séneca), acusados de conspiração. Mandou matar todos os que faziam parte da sua familia o que vai fazer com que não surja um herdeiro.
Ficou também conhecido pelo incêndio de Roma (64 d.C.) que terá destruido 3/4 da cidade (segundo alguns autores clássicos). Existem 3 hipóteses explicativas do incêndio:

- Acidente;
- Foi o próprio Imperador;
- Uma seita religiosa, os cristãos (Nero culpou esta minoria e perseguiu-os)

A dada altura, foge de Roma, é declarado como inimigo político de Roma. Terá levado o seu escravo mais querido e foi ele que terá morto Nero, a seu pedido, com uma punhalada (terá dito "Que artista sou eu ao morrer" - segundo Suetónio).


Com a morte de Nero acaba a dinastia júlio-claudiana e eclode uma nova guerra civil em Roma (68-69 d.C.). Até aqui, o imperador ou a guarda pretoriana escolhiam entre os membros da familia imperial o sucessor, agora as legiões provinciais perceberam que poderiam procurar designar um general que fosse da sua confiança, para depois obterem regalias e melhores condições. Neste contexto, surge um governador da Hispânia, Galba, que é proclamado imperador em 68 d.C., pelas legiões estacionadas na Hispânia. É rapidamente assassinado e, perante o seu assassinato surge Otão que é designado imperador pelas legiões estacionadas na Lusitânia. Também foi assassinado e foi Vitélio que foi eleito e nomeado imperador pelas legiões estacionadas na Germânia. Esta sucessão de imperadores chefes militares só termina em 69 d.C. quando um conjunto de legiões estacionadas no Egipto nomeia um general chamado Vespasiano.
Vespasiano consegue manter-se no poder e inaugurar um nova dinastia, consegue restaurar a sucessão hereditária. A Dinastia Flaviana é a nova dinastia. Esta tomada de poder está claramente assente na força das armas, na base do poder político está uma vez mais o poder militar. Está a começar uma nova era no império porque as provincias tem cada vez mais poder no destino deste. Entre 68 e 96 d.C., no senado de Roma, a percentagem de senadores passa de 83% para 76% e a percentagem de senadores provinciais passa de 17% para 24%.
Roma já não esta centrada nos seus habitantes, começa a ser dominada pelas populações das provincias romanas.

Augusto (continuação)

Ao mesmo tempo que o Senado perdia poder, esse poder vai conduzir-se para as mãos do imperador Augusto (centralização do poder). vai ser-lhe conferida por uma acumulação de títulos, de atribuiçoes que ele vai até imcorporar no seu nome pessoal ("imperator" e "Augustus"). Esta acumulação de títulos de natureza política, honorífica e religiosa consiste na principal inovação que então ocorreu e que vai conferir a Octávio uma grande autoridade.
Para além destes títulos que ele recebe e demonstra, na base do poder político estava o poder militar (Augusto ganhou poder político através das armas, na batalha de Ácio). Numa fase inicial, ele próprio afirma este poderio militar quando incorpora o título de "imperator" na sua nomenclatura pessoal. "Imperator" não era um termo novo, era atribuido aos generais vitoriosos mas, a partir do principado, o "Imperator" é o que chefia o exército romano na sua totalidade.
O êxito do regime político que Augusto iniciou baseou-se no exército. Para além deste título, Octávio sentiu necessidade de transmitir outros títulos, levando a cabo uma autoridade política que permitisse a acumulação de títulos (o próprio senado republicano confere esses títulos).

No ano 27 a.C., Augusto torna-se o primeiro imperador de Roma. Nos inícios de 27 a.C, Octávio leva a cabo, em pleno senado, uma perfeita encenação. Octávio comparece a certa reunião do senado para a apresentar a sua demissão anunciando que Roma estava pacificada, a ordem constitucional republicana também estava recuperada, anunciava que tinha conseguido restaurar o regime republicano e, perante isto, dispõe-se a devolver todos esses poderes ao senado. O senado, ao invés de aceitar esta devolução de poderes, de magistraturas, suplica para que Augusto não se demita, que se mantenha no poder, que mantenha todos os poderes que tinha e atribui-lhe ainda mais poderes. Fingindo-se contrariado, Octávio aceita a proposta do senado. Nesta reunião do senado, Octávio é nomeado "imperator Augustus", passando este título a incorporar o su nome.
"Augustus" significa que este novo senhor do império tinha uma autoridade superior a todos os outros magistrados e tinha sobretudo, o poder divino de "começar tudo sob felizes auspícios" (tudo o que ele decidisse não era contestado uma vez que era apoiado pelos deuses).
Ao assumir-se como Augusto, apresenta-se como homem providencial (na república "Augustus" estava impregnado de religiosidade uma vez que provinha da palavra Augurado, uma magistratura). Faz passar a seguinte mensagem, "eu tenho o poder que é apoiado pelo poder divino logo é incontestável" Percebeu que tinha que manter o seu poderio militar e religioso. Nos anos que se seguem, Augusto vai incorporar mais titulos e poderes.

Nas sessões seguintes do senado assiste-se a uma reforma constitucional. Consolida o direito supremo da chefia militar quando o senado lhe confere outro poder "Imperium proconsular maius et infinitum". "Maius" significa que o poder de Augusto era superior ao poder militar dos governadores das províncias e "infinitum" significava que esse poder se estendia a todo o império.

Em 23 a.C, Augusto tinha o poder militar com a religião, para consolidar esse poder, faltava o apoio do povo. O povo vai atribuir-lhe outro tiítulo plolítico que é a "Tribunícia potestas", que até então era exercida pelos tribunos da plebe. Este título permite-lhe governar também o povo romano politicamente. É ele quem vai convocar e presidir a todas as assembleias, vai ter o poder de propor leis (poder legislativo) e passa a ter capacidade de poder vetar, anular qualquer decisão de um magistrado de grau inferior. Não assume o título de tribuno da plebe mas sim os poderes dessa magistratura passando assim a representar o povo.

Em 12 a.C., Augusto reforça a dimensão religiosa uma vez que começa a intitular-se com outro título, o de "Pontifex Maximus" que significa que, a partir de agora, Augusto é o chefe de colégio dos Pontífices.

Em 2 a.C., no senado, reforça a sua condição de "princeps", de "Primus inter pares". Augusto vai fazer-se proclamar "Pater Patriae" e associa-o á sua nomenclatura pessoal.
Para além destes títulos, o principado institucionaliza a sucessão pela hereditariedade (é Augusto a propor o herdeiro). Augusto apenas tinha uma filha e, por isso, propõe Agripa, um grande amigo, como sucessor, casando-o com a sua filha Júlia para reforçar esta proposta.
Júlia e Agripa tem dois filhos, Caius e Lúcios que estão na linha de sucessão porém, Augusto casa-se uma segunda vez com Lívia que tinha já um filho do primeiro casamento, Tibério.
Lívia vai fazer de tudo para que Tibério suceda a Augusto e, para isso, é necessário eliminar os opositores. Agripa morre cedo deixando os seus filhos para continuarem a linha de sucessão porém, estes morrem muito novos (segundo os autores clássicos, Lívia tê-los-á envenenado).
Tibério é então treinado para suceder a Augusto.

Concluindo, nunca Roma tinha conhecido uma tal concentração de poderes numa só pessoa. Augusto passa a deter todos esses poderes e a exercê-los sem estar limitad0 á anualidade e colegialidade, o império era centralizado na figura de Augusto. A república cede o lugar ao principado que não é mais do que uma monarquia onde o chefe de estado concentra em si todos os poderes. O êxito deste regime deve-se á capacidade de Augusto de esconder a mudança de regime, alterá-lo lentamente mantendo a estrutura inicial da república mas esvanziando-a de poder, o que demonstra a sua habilidade política. O poder agora não é partilhado nem rotativo. Depois de um período de grande instabilidade, o povo romano ansiava pela paz, pela estabilidade, por um homem que lhes desse esses factores. Augusto percebeu isso e apresentou-se como esse homem afirmando que para dar paz e estabilidade teria que se manter no poder.

Augusto acaba por morrer de velhice (14 d.C.), enquanto que os que lhe sucedem são, várias vezes assassinados!

OCTÁVIO CÉSAR AUGUSTO


História da Roma Antiga
Octávio César Augusto
Primeiro Imperador de Roma e construtor do império. Teve o reinado mais longo (foi imperador durante 43 anos). Teve tempo para modificar e consolidar o império romano.


Antes de aquirir o nome Augusto, o seu nome próprio era Octávio ou Octaviano. Era filho de uma sobrinha de Júlio César e, como sobrinho-neto, acabou por suceder a César.

Em 45 a.C., esteve em território Espanico quando César derrotou Pompeu. Esta proximidade acaba por implicar o seguinte, César adopta Octávio e constitui-o como seu herdeiro politico e testamental.

Na sequência do segundo triunvirato e da guerra civil, na batalha de Ácio, Octávio derrota Marco António e Cleóptra e regressa a Roma vitorioso. Octávio apodera-se do Egipto e torna-o provinvia romana. Quando dois anos mais tarde (29 a.C) regressa, tenta mudar o regime politico vigente em Roma, iniciando assim, o Principado.

Em 27 a.C., torna-se o primeiro cidadao no estado de Roma, o indivíduo com poder de comandar todo o exército romano, torna-se o primeiro imperador.

Augusto foi o principal construtor , artifice, estratega do novo regime, o Principado. Este sistema político vai vigorar cerca de 5 séculos (400 anos), até a fragmentação do Império Romano no Ocidente (27 a.C. - 476 a.C.) e vai marcar o inicio de uma nova era na história de Roma.

O século em que Augusto viveu designa-se de Século de Augusto ou Século Áureo, revelando a consciência da importância deste indivíduo.
Este novo sistema polítco foi o culminar de uma lenta evolução sócio-politica que se acelerou no período tardo-republicano e foi resultado da convergência de circunstâncias políticas, sociais e ecconómicas que preparam a emergência do principado.
As guerra civis do século I a.C. tinham gerado, na população romana, um grande descontentamento e um desejo generalizado de pacificação e estabilidade política. Neste contexto de crise, quem se apresenta-se como o governante forte, o salvador, teria o apoio de toda a população. Augusto soube capitalizar este anseio da população a seu favor. Em troca de estabilidade, Augusto pediu poderes vitalícios. Para alguns historiadores actuais, a substituição do velho regime republicano foi também consequência da inadequação das estruturas políticas republicanas face á nova necessidade territorial do império romano, era necessária uma engrenagem política.
Esta mudança de regime político era inevítavel. Júlio César já tinha percebido isso e tentado mudar o regime mas foi morto porém, Augusto foi mais estratega, promoveu a alteraçao do regime sem a tornar perceptível (é este o seu grande mérito). A sua grande habilidade política foi, também, ter encontrado o equilibrio entre as duas facçoes políticas - os pró-republicanos e os que apoiavam a mudança de regime (pró-monárquicos). Para além disso, consegue encontrar o equilibrio entre a velha estrutura política e a nova (respeita a velha estrutura mas vai progressivamete privando-a de poderes).
Há duas palavras-chave que podem ser aplicadas quando procuramos definir as principais directrizes da estrátegia política de Augusto, "Augusto inovou mas Augusto restaurou" (mudou o que se deveria mudar mas manteve alguns aspectos). Todas as medidas que Augusto levou a cabo vão basear-se nestas duas palavras-chave (politica conservadora e progressista).
Resturou aquilo que não implicava a perda dos seus próprios poderes. Quando chega ao poder começa por se assumir como conservador, alguém que vem recuperar os velhos valores da república. Revitaliza as velhas tradições religiosas (que começavam a entrar em desuso). Era um moralista (decreta no sentido de castigar, o adultério).
Numa primeira fase, estabelece medidas para inovar o prestígio do Senado Repúblicano (prestígio de fachada), nao se preocupando em restaurar os princípios basilares da antiga república. Vai destruir todo esse sistema político republicano, baseado na partilha de poderes e rotatividade, a seu proveito, levando então a cabo medidas progressistas. É ao nivel político que Augusto afirma a sua inovação, inicialmente camuflada.
Augusto conseguiu construir este novo regime uma vez que levou a cabo um regime constitucional e, em segundo lugar, procedeu a uma reorganização territorial, administrativa e militar de todo o império.
Reformas que levou a cabo no regime institucional:
As instituiçoes republicanas mantêm-se mas, uma vez que não o destruiu, Augusto necessitava de um Senado dócil, que estivesse disposto a colaborar com a sua politíca, implicando o esvaziamento dos poderes do senado. Para tornar o senado dócil, Augusto reduz o número de senadores e os seus opositores são banidos do senado. Para preencher estas vagas vai permitir a entrada de novos senadores da sua confiança. Desta forma, o senado passa a ser favorável a Augusto, passa a fazer o jogo do novo sistema politico - o principado
Se Augusto chama a si um dos poderes que estava nas mãos dos censores, estes passavam a estar nas suas mãos, para poderem ser governadores provinciais teriam que agradar ao imperador.
A instauração do império vai implicar a perda progressiva mas nao aparente de poderes por parte do senado republicano. Octávio constitucionaliza a sua omnipotência, ao mesmo tempo que preserva as formas e os orgãos constitucionais da república, atribuido uma importância ficticia ao senado.
As antigas famílias aristocráticas tinham sido practicamente extintas durante os periodos conturbados das guerras civis, devido as proscrições e aos assassinatos.
Esta situação favorece as ambições e os planos de Octávio.